sob própria pressão
me descorre em penumbras
até encontrar se
antes que tarde

a última chance de hoje
ao ralo sem volta
cabeça erguida
e espera constante

lento como sendo
desembaraço surdo
meio dicotômico
se extingue em respostas

como é bom plantar conhecendo a semente
ser livre pra jogar quanta água quiser
e largar o vaso ao sol ou sombra
saber que quase tudo há um tempo

apesar de nunca acertarmos qual é ele
mesmo assim algo sempre vem a germinar
quero ser árvore em floco de algodão
não só esse cotoco de grão de feijão

queria ter suas previsões como utopia
ai não me perderia no infinito do que nos é comum
tentaria traçar-me como que paralelo
ousando cruzar te em todos os pontos

não pouparia meu verso para te dizer
mesmo que se esforce não vou te esquecer
ou te desejar menos que a todo instante
meu exemplo de vida militante

atenda meu chamado a reorientar
o foco de intensidade para a expressão
de um poeta carente de respostas
nesse retórico mundo de ilusão

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