rabisco em vão no completo escuro
não sai um verso sequer, só lágrimas
risco quase uma dúzia de folhas
ensopadas pelo pranto incessante
nada que escrevo me agrada
por que é que a alguém agradaria?
os que lêem e dizem que gostam
só gostam
porque gostam de mim
o que escrevo
são apenas palavras
saindo da minha boca
mas só quem me ouve
me fala de que eu quis dizer
e lembra que sou um poeta frustrado
porque não conto o que sinto
mais sim o que acho que sinto
pois acabaram as dúvidas
acordei para o melhor dos sonhos
concreto
tangível
agora
só esqueci que sozinho não posso
porque quando nasceu a cumplicidade
prometi nunca deixá-la
seja com quem estiver
por isso que
desconfio
nunca será inferior a perfeição
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Publicada em Sufrágio
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