queria que esses versos
me trouxessem de volta
o verão
não o de nossa árdua discórdia
mas o de teus verdes olhos
olhando-me logo ao amanhecer
fazendo-me sentir como em um parto
esquecendo toda lembrança
antes daquele momento
completamente nosso
que éramos mesmo que pequenos
criávamos mundo nas mãos
nada tínhamos pois nada queríamos
e verdadeiramente assim
apenas por nós nos bastávamos
foi-se o verão
assim como foi-se o encanto
da nossa convergência de sonhos
que agora só se dá por concessão minha
já não é a impetuosidade espontânea
que me fazia são delirar
já não arde nem quando acorda
nem quando discorda
saturei-me deste fogo frio
e libertando-me cresci tanto
que já não caibo no meu corpo
transbordo pela boca a essência
que escarro em desperdício
pra evitar atraso por sobrepeso
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