quem me dera um dia inteiro
para sentir saudade só do que nunca tive
duas voltas do ponteiro menor
e completas
sem pensar no antes no agora e no depois
fazer de um instante
só isso nada a mais
nada além do facilmente visível
nada longe do que posso predizer
se nunca foi porque hoje há de ser
cada vez que se repete o ciclo
tudo é inédito
só as sombras já não me são estranhas
piso cada vez mais firme
mesmo tendo me tomado o chão
enxergo muito além da superfície
que turva nossa fosca visão
passaria eternamente sem ter escrito
mais a eternidade não passaria
se escrita não fosse
por isso que tudo que passa
um pouco fica
como cicatriz desbotada
que nunca chama atenção
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Publicada em Poema Pingado
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