porque não consigo dormir sem sentir
que devo ao mundo um poema
largo compasso mas não perco meu tom
cada pista só confirma suspeita
que a mesma desfeita não posso ser bom
quem vai juntar meus restos
para dispersar o que sobrou dos versos
que a ninguém escrevi por ti
mais vão e inútil
que arte
aos olhos de quem
só enxerga decoração

banalize-se o profano como tal
o difunda sobre máscaras de circo
ao ver que nem os que os defendem admitem
se criticar pelo equívoco
justamente por isso
para que não tenha que haver um motivo
deixe nos fugir a eventualidade
para dar nos o que da ordem interessa
um bom juizo que em ti confio
assim como boas intenções
recebem bons resultados

nem hesite antes de cogitar a duvida
o incerto tomou crédito
já o reconhecem assim
calado decifro-te em só omissões
que ao menos não seja por falta de estímulo

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