olho o tempo passar nas nuvens e nos números
um tão disperso quanto outro
me lembraria de quando começei a contar
se me recordasse das formas que disse
pra mim mesmo que havia no céu

o relógio movido por uma pilha poluente
e as nuvens por um vento tão alto
que nunca vou alcançar

e cai o mundo
seria o fim
ou só mais um poema de crise
daqueles que não são bons de serem lembrados
a não ser que uma grande superação
venha a cobrir

abre-se a porta do desespero
a tranca se estilhaça me cortando
pois o cadeado da desilusão
pesou mais do que a corrente da ignorância

ao acordar se não estou diferente
sou ao menos
mais leve

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