em tempos de extremos que não seja eu o moderado
que a cautela se vá como toda e qualquer ponderação
deixar escorrer para o escuro fundo do ralo
quando cruzarem o curso de minha ilusão
ao pesar de um lado tudo e de outro nada
a balança tomba para um lado
o lado vazio e raso
pois o peso do tudo talvez não se sinta
porem sabemos como é grande e pesado
mas o peso do nada é maior, te esmaga
então enfim mais vale ter ou não ter o calor
se a constatação da posse só lhe traz a dor
e o momento da ausência dor maior lhe traz
ai então me pergunto que diferença faz
quem me dera inventar alguma formula
que simplificasse um pouco as coisas
ai eu ficaria com o tudo
pois saberia anular as dores com o que quer que tenha
ou remover magoas as custas de sorrisos
mais como não sou teórico nem pratico
fico com o nada, que apesar de sacrificante
é o único lugar que algo possa surgir
quase livre de influencias alheias
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