aguardo um instante
de inexistência
que pressinto breve será
há de vir
sem se esquecer da calma
que por instinto veio a calhar
segundos se espremem
para caber no relógio
tanto se atrasa quase é pontual
rasas poças de água
mal encobrem o dilúvio
que dentro de mim ansioso goteja
e acha o mundo acabada pintura
ainda quer escolher a moldura
assim é uma tela em branco
toda disforme sem encanto
suga as tintas da aquarela
como a cera escorre da vela
inevitável
como o crepúsculo passado
um sonho acordado
tarde demais
jamais
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Publicada em Sufrágio
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